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PALESTRA NA ERM - INCLUSÃO NO MUNDO CORPORATIVO

Atualizado: 11 de abr.

1. A ERM e a relevância da palestra


Em 23 de junho de 2023, tive a honra de palestrar para a ERM (Environmental Resources Management), a maior consultoria global de sustentabilidade do mundo. Fundada em 1971 e com sede em Londres, a ERM é uma organização que se destaca por sua atuação em sustentabilidade, saúde, segurança, risco e consultoria ambiental, empregando mais de 8.000 profissionais em mais de 40 países e 150 escritórios globais. Para uma empresa com tal alcance e compromisso com a sustentabilidade, discutir a inclusão não é apenas uma questão de responsabilidade social, mas um pilar fundamental para a construção de um futuro verdadeiramente equitativo e resiliente.


2. O contexto: por que inclusão é tema de sustentabilidade empresarial



Coruja com olhar para o horizonte da Inclusão e Sustentabilidade.

A sustentabilidade, em sua essência, transcende a preocupação ambiental. Ela abrange a dimensão social e de governança, onde a inclusão das pessoas com deficiência e das minorias se posiciona como um indicador crítico de maturidade e compromisso. Minha palestra, intitulada “Somos realmente inclusivos?", buscou provocar uma reflexão profunda sobre o tema, indo além do politicamente correto e mergulhando nas complexidades e nuances da experiência de vida de pessoas com deficiência no ambiente corporativo e na sociedade.


3. As histórias pessoais: desafios e superações


Para iniciar o diálogo, adotei uma abordagem direta: "não serei politicamente correto". Compartilhei duas experiências marcantes de minha vida nos Estados Unidos: a convivência com um colega de quarto que revelou preconceitos e a observação de um cadeirante no ônibus em São Francisco, que me fez refletir sobre a acessibilidade e a autonomia. Essas vivências, somadas à minha própria jornada após a lesão medular, foram cruciais. Abordei a luta contra um sistema que, por vezes, parece mais preocupado em rotular do que em incluir. Falei sobre minha própria batalha contra o governo para não ser aposentado por invalidez, mas sim reintegrado ativamente ao mercado de trabalho. Relatei um dos grandes aprendizados que tive quando voltei ao escritório: inclusão não é apenas sobre espaços e banheiros acessíveis. As piores barreiras não são físicas, mas sim atitudinais (de ambos os lados).


4. Ferramentas Assistivas: uma analogia


Durante a palestra, utilizei a analogia do carro, aproveitando minha fala sobre a experiência que tive no primeiro dia dirigindo meu carro adaptado para o trabalho, como uma ferramenta assistiva. O cenário construído pelas pessoas ao imaginarem o meu relato é poderoso e ilustra perfeitamente a equação entre igualdade, ambiente equitativo, ferramentas assistivas, atitudes pessoais e paradigmas sociais.


5. O problema real: legislação vs. ética e o dilema da Lei de Cotas


Um exemplo prático que trouxe foi a espera de quatro anos por uma rampa simples para o elevador de piscina em meu apartamento, um retrato da burocracia e dos discursos moralistas que não espelham ações práticas. A discussão se aprofundou na dicotomia entre o Moral e o Legal, questionando se a Lei de Cotas nas empresas, embora necessária, realmente promove uma inclusão genuína. Muitas vezes, pessoas com deficiência são contratadas para cumprir a cota, mas não são alocadas em projetos relevantes. Elas entram no “clube”, mas não podem "entrar na piscina", gerando mais segregação do que integração.


6. Os pilares da inclusão no mundo corporativo e na sociedade



As pessoas agem de acordo com que falam? A sociedade é realmente inclusiva?

Para construir uma inclusão verdadeira, propus uma estrutura baseada em pilares essenciais. As quatro paredes que sustentam essa casa são a Educação, a Justiça, o Respeito e a Solidariedade. O piso sólido sobre o qual essas paredes se erguem é o amor ao próximo (Ágape). E, finalmente, a rocha fundamental que serve de alicerce para tudo isso e que infelizmente tem se enfraquecido em nossa sociedade, é a Ética e a Moral - aquela rocha que, paradoxalmente, temos deixado amolecer enquanto construímos e seguimos leis cada vez mais complexas. A parábola da casa, com seu piso (amor), quatro paredes (educação, justiça, respeito, solidariedade), teto (inclusão) e fundação (ética), ilustra que a inclusão no mundo corporativo e na sociedade é uma construção complexa que exige valores sólidos e um compromisso contínuo.


7. O chamado à reflexão


Minha mensagem para a ERM e para o mundo corporativo é clara: a inclusão não é um ato de caridade, mas um direito e uma obrigação ética que se alinha perfeitamente com os princípios da sustentabilidade. Empresas verdadeiramente sustentáveis devem ser intrinsecamente inclusivas, reconhecendo que as barreiras reais são atitudinais e que as cotas, sem ações genuínas de integração, podem gerar mais segregação. É preciso ir além das metas de diversidade (ESG / DE&I) ou conformidade legal e buscar uma cultura onde a dignidade, a autonomia e o respeito sejam valores inegociáveis.


8. Conclusão: não vamos deixar nossa rocha esfarelar


Não vamos deixar nossa rocha amolecer, nem esfarelar. Vamos construir juntos um futuro onde a inclusão e o potencial humano são a base e o propósito, o motor.



Se algo aqui te tocou – não apenas superficialmente, mas tocou aquela ferida que você carrega, aquela inquietação que busca um sentido maior – saiba que não está sozinho(a).


Assim como no Caminho de Santiago de Compostela, onde aprendi que é possível avançar apesar dos obstáculos, quando há propósito e senso de comunidade, o mesmo princípio se aplica ao universo corporativo e à vida pessoal. Minha própria jornada - marcada pela lesão medular e tantas situações que exigiram superação extrema - transformou a dor em direção e cicatrizes curadas em poder e dever. Em 2025, encontrei meu propósito: ajudar outros a trilharem seus próprios caminhos de superação.


Descobri que os verdadeiros obstáculos raramente estão fora de nós, mas sim na forma como percebemos a nós mesmos e ao mundo ao nosso redor. É a nossa perspectiva que define o limite.


Para empresas que buscam ir além do politicamente correto e construir uma cultura de inclusão genuína, onde a dignidade e a autonomia são pilares inegociáveis, ofereço palestras que inspiram, provocam e transformam. É um convite para repensar a ética, a moral e o verdadeiro significado de sustentabilidade e potencial humano.


E para indivíduos que, como eu, carregam suas próprias feridas e querem encontrar clareza de propósito e força para avançar, ofereço um caminho de mentoria individual. Através do método FABS DAGO – um método que desenvolvi para guiar no autoconhecimento, na valorização das limitações e na superação de barreiras – ajudo a transformar a dor em direção, a ir de A a B com um propósito claro e inabalável.


Seja para sua organização ou para sua jornada pessoal, o convite é para a transformação.

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