O FUTURO NÃO É SOBRE MÁQUINAS. É SOBRE HUMANIDADE! - REVISTA REAÇÃO
- Fabiano D'Agostinho
- 6 de mar.
- 4 min de leitura
Neste artigo, publicado na edição 165 da Revista Reação, Fabiano D'Agostinho fala um pouco sobre sua obra, 2081 XRAM, e como ela nasceu. Uma história que vai muito além da ficção.
Ela não fala apenas sobre tecnologias, ela mergulha no coração humano e provoca reflexões sobre o futuro da humanidade na era da IA.

O Livro do Renascimento é uma ficção sobre o coração humano.
É sobre quem podemos — e devemos — ser.
É sobre o futuro que queremos construir e o legado que deixaremos para as próximas gerações.
O mundo acelera na direção das máquinas, mas eu sigo me perguntando: o que acontece com a nossa essência quando a tecnologia dita o ritmo? Foi dessa inquietação e da certeza de que a emoção é insubstituível que nasceu uma ideia, cresceu como um sonho e ganhou forma em uma ficção para iluminar escolhas reais sobre o futuro.
O primeiro volume de 2081 XRAM, O Livro do Renascimento, que acaba de ser lançado, é profundamente inspirado na minha própria trajetória. Sempre acreditei que a ficção literária é um poderoso laboratório para analisar o presente e projetar os caminhos possíveis para a sociedade. Assim como o livro 1984, de George Orwell, que antecipou fenômenos como telas onipresentes e fake News, a ficção pode ampliar nosso olhar e nos preparar para o que está por vir. Essa perspectiva influenciou diretamente a construção de 2081 XRAM.
Minha história pessoal é marcada por filosofia, propósito e análise social, trilhas que sempre caminharam ao meu lado. Aos 22 anos, abri mão de um cargo de liderança e enfrentei desafios financeiros significativos para estudar na Califórnia, na UC Berkeley, onde cursei Administração de Negócios e Gerenciamento de Projetos. Aos 26 anos, minha vida tomou um rumo inesperado: fui vítima de um assalto e levei um tiro que me deixou paraplégico.
Gosto de descrever esse episódio não como um fim, mas como um renascimento. A partir dali iniciei um processo profundo de ressignificação, autodescoberta e superação — processo que me levou, inclusive, a percorrer 220 quilômetros do Caminho de Santiago de Compostela em cadeira de rodas. Essa jornada transformadora deu origem à metodologia que hoje utilizo em minhas mentorias, sempre voltada à expansão do potencial humano.
Em 2081 XRAM, o personagem Orlando enfrenta provações semelhantes às que vivi. Em meio às dificuldades impostas pela trama, trago uma visão otimista sobre o futuro e o potencial humano de transformação. Aprendizados das gerações passadas moldam quem somos hoje e determinam o que deixaremos para o amanhã.
Nesse ambiente ficcional, abro discussões sobre temas contemporâneos essenciais: o combate ao capacitismo, a urgência da ética no uso da inteligência artificial e a necessidade de construirmos modelos sociais e econômicos mais dignos e inclusivos. Esses temas serão ainda mais aprofundados no último volume da série, A Lei da Verdade, quando o protagonista Carlo Legens implementa sua estrutura de um novo paradigma social baseado em diversidade, equidade, inclusão, sustentabilidade e dignidade humana.
Escrevendo o livro, percebi que, muitas vezes, é preciso renascer para reencontrar as ferramentas que transformam a realidade. Quando senti a necessidade de mudar a realidade em que vivemos, e para onde vamos, diante das ameaças imposta por um mundo regido pela frieza das máquinas, a história se solidificou em minha mente, quase que de forma mística. No entanto, cheguei a uma conclusão importante: era necessário enriquecer a ficção com emoção, porque é disso que somos feitos, e é disso que a humanidade precisa.
Eu também me perguntava: “Como poderia uma pessoa ser responsável por criar um novo e revolucionário paradigma social, como é o caso do personagem Carlo Legens, sem que tivesse uma visão diferenciada do mundo?”. Essa sensibilidade surge em Carlo ao longo de sua vivência com o pai, Orlando, cuja trajetória foi inspirada na minha vida. Ambos ressignificam suas vidas em um contexto imposto pela deficiência física. Carlo absorve a dura realidade enfrentada pelo pai, imposta por uma sociedade pouco inclusiva e desrespeitosa. Isso faz com que ele tenha uma consciência diferenciada da realidade, o que o leva a sentir a necessidade de mudar esse cenário. Carlo cresce, assim como eu, com a firme convicção de que a realidade pode, e deve, ser transformada.
Para mim, a construção de um novo modelo que una inteligências (humana e artificial) em favor do bem comum depende da convergência de caminhos humanos na direção de um objetivo compartilhado. Essa visão se fortaleceu quando percorri o Caminho de Santiago de Compostela.
Ali compreendi algo que carrego até hoje e que permeia cada página da obra: não é sobre chegar antes dos outros, é sobre chegar e fazer com que os outros cheguem também. Não é sobre ultrapassar para chegar primeiro e se sentir vitorioso. A jornada humana não deve ser uma competição. Ela é um movimento de evolução coletiva, consciente e sustentável, algo que exige solidariedade, inteligência, bondade e, acima de tudo, ética.
Por isso afirmo: 2081 XRAM não é uma ficção sobre inteligência artificial. É uma ficção sobre inteligência humana. Sobre preservar nossa essência, valorizar nosso potencial e usar a tecnologia para expandir o que temos de melhor, jamais para substituir aquilo que nos define. Não é uma ficção sobre robôs.
É uma ficção sobre o coração humano.
É sobre quem podemos — e devemos — ser.
É sobre o futuro que queremos construir e o legado que deixaremos para as próximas gerações.
Baixe a edição 165 da Revista Reação e leia na íntegra o artigo O FUTURO NÃO É SOBRE MÁQUINAS. É SOBRE HUMANIDADE!

Fabiano D'Agostinho e o futuro da humanidade na Revista Reação.



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